“O capitalismo é uma religião
puramente cultual, talvez até a mais extremada que já existiu. Nele, todas as
coisas só adquirem significado na relação imediata com o culto; ele não possui
nenhuma dogmática, nenhuma teologia.” (BENJAMIN, 2013, p. 21) . O culto, entendido como “um conjunto de
ritos e práticas de veneração ou de propiciação de divindades, de ancestrais,
de seres sobrenaturais ou de certos símbolos (JAPIASSÚ, 2006, p. 63) ”, no que se refere à
religião capitalista, parece ser evidenciado em símbolos e divindades. Se no
cristianismo a cruz aparece como símbolo central da fé no Cristo ressurreto, no
capitalismo as cédulas bancárias se
apresentam diariamente para evocar o culto
capitalista. Elas, mais do que
qualquer outra coisa, mostram-se para a sociedade contemporânea como resolução
das preocupações e inquietações humanas. Não por acaso, a elas presta-se a veneração. Mas “o papel-moeda é apenas uma das
manifestações de uma divindade mais fundamental do sistema capitalista cultual:
o dinheiro” (LÖWY, 2005) .
Sobre isso, Walter Benjamin deixa uma referência bastante interessante em seu
fragmento de 1921 do pensador anarquista Gustav Landauer:
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1 de novembro de 2013
26 de outubro de 2013
O capitalismo como formação condicionada pela religião
Douglas Weege
Como é sabido, Max Weber (1864-1920) é um dos mais
influentes pensadores na passagem do século XIX para o século XX. Talvez mais
do que isso, pois segundo o jornalista da Folha de São Paulo João Batista
Natali “o século que poderia ter sido o de Marx acabou se tornando o de Max” (1999) . O motivo desta
afirmação foi a eleição realizada por dez intelectuais convidados pela Folha
para escolher os cem melhores livros de não ficção ou ensaios do século XX. A Ética Protestante e o Espírito do
Capitalismo, de Weber, apareceu em primeiro lugar na lista dos
intelectuais. Como se não bastasse, outra obra do autor, Economia e Sociedade, apareceu em terceiro lugar. Claro que pode
haver críticas quanto aos dez intelectuais e a influência de suas escolhas por
causa de suas áreas de atuação. Mesmo assim, não parece um absurdo este
reconhecimento pela obra weberiana. Curiosidades a parte, cabe aqui explorar
minimamente, mas não superficialmente, a obra líder do século XX, segundo o
seleto grupo.
6 de julho de 2013
Entre “O Mal Estar Na Civilização” e a “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”: uma relação possível entre Freud e Weber
Douglas Weege
Introdução
Olhando atentamente para o presente século e os problemas
que o rodeiam é fácil notar a influência de dois grandes pensadores na
atualidade. De maneira geral, no ambiente acadêmico contemporâneo, todos, de
alguma maneira, já ouviram falar de Sigmund Freud (1856 – 1939) e Max Weber
(1864 – 1920). Um é patrono da psicanálise, o outro da sociologia. Um tem como
uma de suas principais obras “O Mal Estar Na Civilização”, o outro “A Ética
Protestante e o Espírito do Capitalismo”. O que tais autores podem ter em comum?
Quais as relações que podemos encontrar em suas obras? Que instigantes e
intrigantes teses ambos vêm nos fazer pensar até os dias atuais? Qual a
atualidade dos dois pensadores? Estas questões nos levam a mencionar o que vem
a seguir.
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