22 de novembro de 2014

O que, de fato, importa?


por Douglas Weege

A palavra importância deriva do latim importans, importare que pode ser traduzida por "ser significante em", originalmente "trazer para", formada por in, "em", mais portare, "levar, carregar". Quando se fala em importação todos sabem o significado, ou seja, refere-se ao transporte de um produto de fora do país para dentro. O mesmo ocorre com cada pessoa em relação aquilo que considera importante para sua vida. Todos levam para dentro de seu ser aquilo que consideram importante. Por isso, cabe a pergunta: o que, de fato, importa?

Numa primeira reflexão é possível que alguém tenha uma visão bastante relativa quanto ao que importa, no sentido de afirmar que o que é importante para uns pode não ser para outros. Essa ideia é bastante razoável, aceitável. Entretanto a questão posta propõe uma atitude mínima de pensamento quando chama atenção para o que, "de fato", importa. Deste modo, a preocupação recai sobre aquilo que é importante para todo e qualquer indivíduo, independentemente de faixa etária, classe social, cultura, religião. Falando de outro modo, o "de fato" da pergunta aponta para aquilo que mais cedo o mais tarde cada pessoa acaba percebendo que é, realmente, importante e necessário.

Importa levar para dentro de si um desejo de reconhecimento exacerbado que provavelmente nunca será suprido e satisfeito? Importa uma vida inteira baseada na busca incessante de bens materiais que venham lhe trazer um desejo enganoso de realização e sucesso? Importa construir ou importar um conceito de felicidade em que a existência não passa de uma escravidão social? A essas perguntas digo: não importa.

Embora o ser reconhecido por algo ou a realização profissional façam parte da vida humana, o que, de fato, importa não são as satisfações de tais desejos. "Pense", são todos desejos de exteriorização, com intuito de mostrar algo para de algum modo se sentir menos culpado, menos endividado. O que, de fato, importa é aquilo que está dentro do ser de cada um e que não pode ser importado como um produto qualquer. Pode ser compartilhado, mas não transferido. Pode ser desenvolvido, mas não esquecido. O que, de fato, importa é a capacidade que todos têm de pensar, apreender, conhecer e influenciar.

O pensar é próprio de cada um e, por isso, todos são pensadores em potencial. O aprendizado resulta da reflexão e leva ao conhecimento, que irá influenciar outras pessoas a isso que, de fato, importa: pensar.

Pensar para escolher.
Pensar para escutar.
Pensar para viver.
Pensar para amar.

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